Norma · Portugal
RTIEBT: PDF oficial, texto em vigor e regras para a habitação
As RTIEBT (Portaria 949-A/2006) são as regras técnicas obrigatórias das instalações elétricas de baixa tensão em Portugal, alinhadas com o HD 60364. Numa habitação fixam a potência mínima, o limite de 8 pontos por circuito, as secções mínimas (1,5 mm² na iluminação, 2,5 mm² nas tomadas), os diferenciais e os volumes da casa de banho. O regime administrativo vem do Decreto-Lei 96/2017.
Atualizado em Verificado a RTIEBT · beta
Abrir o editor para este paísO essencial
- 01Texto em vigor: Portaria n.º 949-A/2006, de 11 de setembro, completada pela Portaria n.º 252/2015 (secção 722, veículos elétricos). Não foi publicada nova edição até 2026.
- 02Cada circuito final de uma habitação tem no máximo 8 pontos de utilização, iluminação ou tomadas (801.5.3).
- 03Até 10,35 kVA (45 A) e sem recetores trifásicos, a instalação é monofásica; acima, em regra, trifásica (801.1.1.3.3).
- 04Todos os dispositivos de corte automático devem ser diferenciais, com sensibilidade ≤ 500 mA; os 30 mA são obrigatórios em casos definidos (casa de banho, tomadas exteriores, VE).
- 05Desde 1 de janeiro de 2018 (DL 96/2017) a CERTIEL deixou de certificar instalações: até 10,35 kVA basta o termo de responsabilidade; acima, inspeção por uma EIIEL.
RTIEBT em PDF: onde descarregar o texto oficial e atualizado
As RTIEBT são um texto público e gratuito. O texto em vigor continua a ser o de 2006, completado em 2015: não encontrámos nenhuma edição “RTIEBT 2026”. Descarregue os documentos diretamente do Diário da República, em vez de cópias de terceiros que podem estar desatualizadas.
| Documento | Ligação | O que contém |
|---|---|---|
| Portaria n.º 949-A/2006 | PDF oficial | As RTIEBT, texto integral |
| Portaria n.º 949-A/2006, consolidada | Diário da República | Versão consolidada do mesmo texto |
| Portaria n.º 252/2015 | PDF oficial | Secção 722, veículos elétricos |
| Decreto-Lei n.º 96/2017 | PDF oficial | Regime administrativo: projeto, execução, inspeção |
Para aplicar o texto a um projeto concreto, abra o editor configurado para Portugal: gratuito, no seu navegador, verifica os circuitos à medida que desenha.
O que são as RTIEBT e a que se aplicam?
As Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão foram aprovadas pela Portaria n.º 949-A/2006, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 226/2005, e publicadas no Diário da República (1.ª série, n.º 175). São um texto regulamentar público e gratuito, estruturado como o documento de harmonização europeu HD 60364 (e a IEC 60364), em partes de 1 a 8.
Para a RTIEBT habitação, a secção decisiva é a 801.5 “Locais de habitação”, que exclui os serviços comuns dos edifícios e as instalações coletivas (secção 803). A Portaria n.º 252/2015 acrescentou a secção 722 (veículos elétricos) e o Decreto-Lei n.º 96/2017 trata da parte administrativa.
Alimentação, potência contratada e ligação à terra
A rede pública de baixa tensão fornece 230 V em monofásico e 230/400 V em trifásico. O esquema de ligação à terra é, em regra, o TT: o neutro está ligado à terra no posto de transformação e a habitação tem o seu próprio elétrodo de terra. O TN só é admitido com rede pública TN e, numa habitação, como TN-S com diferenciais.
Se a instalação estiver protegida na origem por um disjuntor de entrada com função diferencial, a resistência de terra deve ser inferior a 100 Ω (801.5.6.1); caso contrário, a sensibilidade dos diferenciais tem de ser adaptada à resistência real, contando com as variações sazonais. A condição geral do esquema TT é RA × Ia ≤ 50 V. O condutor de proteção (PE) é obrigatório em todos os circuitos e liga às tomadas, às massas dos aparelhos e ao terminal de terra do quadro.
| Habitação | Monofásico | Trifásico (se houver recetores trifásicos) |
|---|---|---|
| 1 compartimento | 3,45 kVA (15 A) | — |
| 2 a 6 compartimentos | 6,9 kVA (30 A) | 6,9 kVA (10 A a 400 V) |
| Mais de 6 compartimentos | 10,35 kVA (45 A) | 10,35 kVA (15 A a 400 V) |
A potência contratada escolhe-se entre escalões normalizados; em monofásico: 1,15 / 2,3 / 3,45 / 4,6 / 5,75 / 6,9 / 10,35 / 13,8 kVA. Acima de 10,35 kVA, ou com recetores trifásicos, a instalação passa a trifásica e as cargas repartem-se pelas fases.
Circuitos de uma habitação: pontos, secções e disjuntores
As RTIEBT não impõem um número mínimo de circuitos. Fixam (801.5.3 e 801.5.8): no máximo 8 pontos de utilização por circuito, sendo que várias tomadas de 16 A agrupadas no mesmo aparelho contam como um só ponto; e secções mínimas conforme a natureza do circuito. Os aparelhos fixos de climatização ficam em circuitos próprios, com no máximo 5 aparelhos por circuito.
| Circuito | Secção mínima (801.5.8) | Disjuntor por defeito no Circuia | Observações |
|---|---|---|---|
| Iluminação | 1,5 mm² | 10 A | Máximo 8 pontos |
| Tomadas de uso geral | 2,5 mm² | 16 A | Máximo 8 pontos; tomadas com obturadores até 16 A |
| Máquinas de lavar roupa, secar roupa, lavar loiça | 2,5 mm² | 16 A | Na prática, um circuito por máquina |
| Termoacumulador | 2,5 mm² | 16 A | Circuito próprio |
| Fogão / placa | 4 mm² | 25 A | Acima de 5,75 kW, é prática corrente passar a 6 mm² / 32 A |
| Climatização ambiente | 2,5 mm² | Conforme a potência | Circuitos separados, máximo 5 aparelhos |
| Veículo elétrico | Por cálculo | Individual por ponto | Circuito dedicado e diferencial 30 mA próprio (secção 722) |
Exceção: tomadas num circuito de iluminação em 1,5 mm² são admitidas se forem comandadas por um dispositivo próprio e a divisão tiver climatização fixa distinta.
Diferenciais: 30 mA, 300 mA e tipos
Numa habitação, todos os dispositivos de corte automático devem ser diferenciais (801.5.9): ou o disjuntor de entrada é diferencial, ou todos os circuitos ficam atrás de interruptores ou disjuntores diferenciais, com a parte a montante em classe II. A proteção contra incêndios fica assegurada com sensibilidades até 500 mA.
| Caso | Regra | Referência |
|---|---|---|
| Tomadas da casa de banho (volume 3 e exterior) | ≤ 30 mA (ou MTS / transformador de separação) | 701.53 |
| Termoacumulador nos volumes 1 e 2; classe I no volume 2 | ≤ 30 mA | 701.55 |
| Tomadas exteriores até 20 A | ≤ 30 mA | 471.2.3 |
| Cabos de aquecimento embebidos sem bainha metálica | ≤ 30 mA | 801.6.2 |
| Cada ponto de carregamento de veículo elétrico | Individual ≤ 30 mA, tipo A no mínimo, corta o neutro | 722.531.2.101 |
Para as tomadas de uso geral (sala, quartos, cozinha), o texto de 2006 não exige 30 mA, que considera uma proteção complementar (412.5). Na prática, as tomadas ficam atrás de um diferencial de 30 mA, opção que o Circuia recomenda. As RTIEBT não limitam o número de circuitos por diferencial nem impõem um tipo, exceto nos veículos elétricos (tipo A no mínimo).
Casas de banho: volumes 0 a 3 (secção 701)
As RTIEBT mantêm quatro volumes (0, 1, 2 e 3) e um volume exterior. O volume 1 sobe até 2,25 m acima do pavimento, o volume 2 estende-se 0,60 m para lá do volume 1 e o volume 3 mais 2,40 m. Não há tomadas por cima dos volumes 1 e 2, e os elementos condutores recebem uma ligação equipotencial suplementar.
| Volume | Extensão | IP mínimo | Tomadas e interruptores |
|---|---|---|---|
| 0 | Interior da banheira ou da base de duche | IPX7 | Proibidos; só MTS até 12 V CA / 30 V CC |
| 1 | Por cima do volume 0 até 2,25 m | IPX5 | Proibidos, exceto MTS 12 V |
| 2 | 0,60 m para lá do volume 1, até 2,25 m | IPX4 | Proibidos, exceto MTS 12 V e tomada de máquina de barbear com transformador de separação |
| 3 | 2,40 m para lá do volume 2, até 2,25 m | IPX1 | Admitidos com diferencial ≤ 30 mA, MTS ou transformador de separação |
| Exterior | Resto da divisão | — | Como no volume 3 |
Quadro elétrico da casa e equipamento mínimo
Cada habitação tem um quadro de entrada, tanto quanto possível perto do acesso normal e da chegada da energia, facilmente acessível; em regra, um quadro por piso. A ordem habitual dos aparelhos é a seguinte:
- Disjuntor de entrada do distribuidor, calibrado segundo a potência contratada.
- Dispositivo de corte geral de todos os condutores ativos, com pelo menos 16 A e não inferior à potência prevista (801.1.1.6).
- Diferenciais por grupo de circuitos (em classe II a montante, se o disjuntor de entrada não for diferencial).
- Um disjuntor por circuito, com calibre coordenado com a secção do cabo.
No quadro elétrico da casa, o neutro é azul-claro e o condutor de proteção verde-amarelo. As RTIEBT não fixam equipamento mínimo por divisão (tomadas, pontos de luz) nem alturas, exceto nas tomadas de carregamento de veículos elétricos: bordo inferior entre 0,50 m e 1,50 m do pavimento acabado. As tomadas até 16 A têm de ter obturadores. O descarregador de sobretensões é recomendado (não obrigatório) com alimentação por rede aérea.
Ficha eletrotécnica, termo de responsabilidade e inspeção
Com o DL 96/2017, as habitações são instalações de tipo C. A execução cabe a uma entidade instaladora ou a um técnico responsável qualificado (Lei n.º 14/2015), que no fim emite a declaração de conformidade ou o termo de responsabilidade pela execução.
| Situação | Documentos e verificação |
|---|---|
| Potência até 10,35 kVA | Ficha eletrotécnica + termo de responsabilidade pela execução ou declaração de conformidade |
| Potência acima de 10,35 kVA | Inspeção para entrada em exploração por uma EIIEL (entidade inspetora), com o instalador presente e meios de ensaio; declaração de inspeção |
| Edifício com soma das potências acima de 41,4 kVA | Projeto elaborado por um projetista, com termo de responsabilidade pelo projeto |
| Inspeção periódica | Não prevista para habitações |
A ficha eletrotécnica descreve a instalação para a ligação (técnico, localização, monofásico ou trifásico, potência normalizada) e é submetida na plataforma SRIESP da DGEG. Entre os ensaios da secção 612, a resistência de isolamento deve ser ≥ 0,5 MΩ a 500 V CC.
Projetar uma instalação RTIEBT com o Circuia
Escolha Portugal ao criar o projeto. O editor limita cada circuito a 8 pontos, aplica as secções mínimas, propõe disjuntores coordenados com o Quadro 52-C1, agrupa os circuitos sob diferenciais de tipo A, verifica os 30 mA obrigatórios e os volumes da casa de banho, e avisa quando a potência ultrapassa 10,35 kVA (inspeção EIIEL) ou 41,4 kVA (projeto). Gera ainda o esquema unifilar e a lista de material.
Abrir o editor configurado para Portugal — gratuito, no seu navegador. O que a ferramenta faz e quanto custa está explicado na página do software de projeto elétrico.
Erros frequentes
- Copiar tabelas de circuitos “C1 a C5” do regulamento espanhol como se fossem RTIEBT.
- Ligar mais de 8 pontos de utilização num mesmo circuito de iluminação ou de tomadas.
- Alimentar o fogão com 2,5 mm², quando o mínimo é 4 mm².
- Instalar uma tomada no volume 3 ou fora dos volumes da casa de banho sem diferencial de 30 mA.
- Esquecer a inspeção por uma EIIEL numa moradia com mais de 10,35 kVA.
Perguntas frequentes
Onde descarregar as RTIEBT em PDF?
As RTIEBT continuam em vigor em 2026?
Quantas tomadas se podem ligar num circuito?
O diferencial de 30 mA é obrigatório em toda a casa?
Ainda é preciso o certificado CERTIEL?
Quando é obrigatório um projeto elétrico?
O Circuia certifica a instalação segundo as RTIEBT?
Apoio ao projeto
Conceba a instalação com as regras deste país
Desenhe a habitação ou descreva-a à IA: o Circuia coloca os pontos, verifica as regras do país em tempo real e gera o quadro, o esquema unifilar e a lista de material.
Redação
Equipa Circuia
Escrito pela equipa do Circuia a partir das fontes citadas e do pacote de regras deste país no editor: os valores das tabelas são os que o Circuia utiliza.
Publicado a · atualizado a
Fontes
Fontes consultadas para esta página, textos oficiais primeiro:
- Diário da República — Portaria n.º 949-A/2006 (RTIEBT), texto oficial em PDF
- Diário da República — Portaria n.º 949-A/2006, legislação consolidada
- Diário da República — Portaria n.º 252/2015 (secção 722, veículos elétricos)
- Diário da República — Decreto-Lei n.º 96/2017
- DGEG — Instalações elétricas de serviço particular tipo A, B e C
- E-REDES — Ficha eletrotécnica: como preencher (março de 2025)
- Hortavolt — estado das RTIEBT
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